top of page

Frango: UE aprova controles do Brasil, mas porta segue fechada

há 2 minutos
4 min de leitura

BRIEFING DO DIA • AniVertis Intelligence • 01/10/2026

Adauto Pereira Gomes Neto

Wesley Izidoro

Resumo executivo

O problema começou em 12 de maio, quando a UE anunciou a retirada do Brasil da lista de fornecedores de produtos de origem animal por falta de garantias de que o país não usa antimicrobianos como promotores de crescimento ③. A auditoria verificou justamente as garantias exigidas pela UE; depois da conclusão técnica favorável, divulgada em 28 de setembro, resta a etapa administrativa europeia ③.

Nesse contexto, promotor de crescimento é o uso de antimicrobianos com a finalidade de acelerar o crescimento ou aumentar o rendimento produtivo, e não de tratar uma doença. A União Europeia proíbe esse uso e passou a exigir que os países fornecedores provem que também não o adotam. Foi por falta dessa prova que o Brasil saiu da lista europeia ③.

A sequência dos fatos

  • 12 de maio: a UE anuncia a retirada do Brasil da lista de fornecedores de produtos de origem animal ③.

  • 24 de agosto a 4 de setembro: missão europeia visita estabelecimentos de carne de aves, mel e órgãos oficiais no Brasil para verificar a proibição dos promotores de crescimento ③.

  • 3 de setembro: as exportações de frango e mel para a UE ficam suspensas ②.

  • 28 de setembro: o Ministério da Agricultura divulga o relatório final da DG Santé, braço sanitário da Comissão Europeia, que considerou satisfatórios o arcabouço legal, os procedimentos e a capacitação dos fiscais brasileiros ③.

  • 30 de setembro: o comissário europeu de Comércio, Maroš Šefčovič, diz que, concluídos os procedimentos burocráticos, os embarques de aves e mel poderão ser retomados no curto prazo ②.

  • Próximo passo: o Ministério da Agricultura pediu a inclusão do relatório na reunião técnica de 20 e 21 de outubro do Scopaff, o Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da Comissão Europeia ③. Até 29 de setembro, a ABPA tratava a data da apreciação como ainda a ser definida pelas autoridades europeias ①. Não há confirmação europeia publicada de que o caso brasileiro estará nessa pauta.

Por que o relatório ainda não reabre o mercado

O relatório é técnico; a decisão é do comitê. É o Scopaff que delibera sobre a reinclusão do Brasil na lista de fornecedores ③. A ABPA afirma que a publicação "ainda não autoriza a retomada dos embarques" ①. Na leitura do ministério, o resultado da auditoria não aponta impedimento técnico à reinclusão, e o país aguarda as etapas administrativas da UE ③. Ou seja: o caminho técnico está aberto, mas a data e o resultado da decisão ainda não estão garantidos. É esse comitê da Comissão Europeia, o Scopaff, o responsável pela decisão final sobre a inclusão do Brasil na lista de fornecedores ③.

Enquanto isso, a China

No mesmo dia 29 de setembro, a alfândega chinesa habilitou quatro frigoríficos brasileiros, dois deles de frango: Avivar Alimentos, em São Sebastião do Oeste (MG), e Cooperativa Dália Alimentos, em Arroio do Meio (RS) ⑤. Segundo a ABPA, as plantas de frango habilitadas para a China passaram de 55 para 57, e o Brasil responde hoje por mais de 70% das importações chinesas de carne de frango ⑤. Em agosto, a China foi o principal destino do frango brasileiro, com 50,988 mil toneladas embarcadas ⑤. A habilitação amplia a capacidade de atender ao mercado chinês; se ela vira mais embarque, os dados dos próximos meses vão mostrar.

A leitura por elo da cadeia

Frigorífico exportador. Para quem vendia à Europa, nada muda até a decisão do Scopaff: o embarque segue suspenso ①. O preço médio de exportação do frango brasileiro foi de US$ 1.970,79 por tonelada em agosto, alta de 0,72% sobre julho, pela Secex .

Produtor. A pressão hoje é interna. A Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) reportou aumento de 9% na oferta de carne de frango no mercado doméstico, o que tem limitado a alta dos preços no atacado, mesmo com as exportações 17,1% acima do mesmo período de 2025; a reportagem não informa qual período foi comparado ④. A reportagem não detalha se o dado é nacional ou do Rio Grande do Sul.

Consumidor. Com mais frango disponível no mercado interno, o efeito imediato é de oferta, não de falta. Nenhuma fonte desta edição projeta o preço no varejo, e os dados não permitem afirmar repasse ao consumidor.

Milho, DDG e etanol

Painel de insumos da ração e da cadeia do milho, sem relação direta com a notícia europeia. O milho Cepea em Campinas está a R$ 69,20 por saca, alta de 1,91% em relação ao mês anterior . O DDG brasileiro está a R$ 1.366 por tonelada na usina, alta de 12,34% no mês, referência de julho . O etanol hidratado Cepea em São Paulo subiu 20,39% no mês, para R$ 2,64 por litro .

PAPs

Painel de ingredientes de origem animal, cotações da Editora Stilo coletadas em 14 de setembro, variação sobre o mês anterior. A farinha de vísceras está a R$ 3.050 por tonelada (+3,39%) , a de pena a R$ 2.450 (+13,95%) e a de peixe 64% a R$ 4.050 (+22,73%) .

Soja

O farelo de soja em Mato Grosso está a R$ 1.996,41/t , alta de 11,18% no mês . O óleo de soja degomado está a R$ 6.900/t e o refinado a R$ 7.700/t , sem variação no mês, pela Abisa.

Metodologia e rastreabilidade

Esta análise combina dados de mercado, métricas calculadas, nowcasting e projeções do AniVertis MarketBI. Os indicadores numéricos e fatos noticiosos usam as evidências identificadas no texto e reunidas abaixo.

Fontes e referências

Os números sobrescritos no texto abrem diretamente a evidência correspondente.

Leia também

Precisa desses números aplicados à sua operação? Fale com o time AniVertis — formulação, spreads e coprodutos com dado rastreável.

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Não é mais possível comentar esta publicação. Contate o proprietário do site para mais informações.
anivertis-logo-negativo.png

© 2026 por Anivertis Soluções em Sustentabilidade Animal.

bottom of page