Preço da farinha de carne: o que move o valor por tonelada
Resposta rápida
Não existe preço oficial da farinha de carne no Brasil: as referências vêm de consultorias e publicações do setor. Entre janeiro de 2021 e março de 2026, a tonelada da farinha de carne e ossos 43% variou de R$ 3.698 a R$ 800. Nesse período, os preços da farinha de carne e do farelo de soja apresentaram trajetórias gerais semelhantes, mas as oscilações de um mês para outro praticamente não acompanharam umas às outras. Por isso, a melhor forma de comparar as duas é pelo preço da proteína, e não pelo preço da tonelada. E a proteína é só uma parte do valor: a farinha também fornece cálcio e fósforo.
Do que estamos falando
Farinha de carne e ossos é o ingrediente que a graxaria produz a partir de partes e resíduos do abate de bovinos. Não entram sangue, pelos, cascos, conteúdo do estômago nem material de risco sanitário (SINDIRAÇÕES, 2023; BRASIL, 2020). O que ela é, como é feita e para que serve está no texto Ingredientes de origem animal: tipos, usos e preço.
O mercado vende a farinha pelo teor de proteína, como permite a IN 110/2020: há farinhas de 40%, 43%, 45%, 48%, 50%, 55% e outras (BRASIL, 2020). Esse teor é uma especificação, não uma nota de qualidade. Duas farinhas com o mesmo teor podem ter aminogramas diferentes (a quantidade de cada aminoácido) e digestibilidades diferentes (quanto o animal de fato aproveita). Farinhas com menos proteína costumam ter mais osso, e por isso mais cálcio e fósforo. Este texto usa a farinha 43% porque é a especificação com série histórica disponível.
Cinco anos de preços
Na série mensal de cotação de mercado, de janeiro de 2021 a março de 2026 (63 meses, um valor por mês), o maior preço da farinha de carne e ossos 43% foi R$ 3.698/t, em fevereiro de 2021. O menor foi R$ 800/t, em dezembro de 2025: uma diferença de 4,6 vezes. A tabela mostra alguns meses dessa trajetória, ao lado do farelo de soja em Mato Grosso, pela série do Imea.
Mês | Farinha de carne e ossos 43% (R$/t) | Farelo de soja, MT (R$/t) |
|---|---|---|
Fev/2021 | 3.698 | 2.631 |
Nov/2021 | 3.094 | 2.150 |
Set/2022 | 1.867 | 2.374 |
Dez/2023 | 1.115 | 2.018 |
Abr/2024 | 994 | 1.677 |
Mai/2025 | 1.500 | 1.678 |
Dez/2025 | 800 | 1.632 |
Mar/2026 | 1.470 | 1.608 |
Fontes: cotação de mercado (farinha); Imea (farelo). Organização: AniVertis.
A farinha oscilou muito mais que o farelo. Entre fevereiro de 2021 e dezembro de 2025, a farinha perdeu cerca de 78% do valor; o farelo, cerca de 38%.
Os dois preços vêm de praças e levantamentos diferentes. Servem para mostrar a tendência e o tamanho das oscilações, não para calcular a diferença exata entre um e outro num dia.
Por que comparar pelo preço da proteína
Na ração, a farinha de carne disputa espaço com o farelo de soja como fonte de proteína. Comparar o preço da tonelada engana, porque cada uma tem um teor de proteína diferente. Por isso o mercado usa o preço por ponto de proteína: o preço da tonelada dividido pelo percentual de proteína bruta.
Um exemplo com os números de março de 2026:
Farinha 43%: R$ 1.470 ÷ 43 = R$ 34,19 por ponto de proteína
Farelo de soja com 46% de proteína: R$ 1.608 ÷ 46 = R$ 34,96 por ponto de proteína
Naquele mês, a proteína das duas fontes custava praticamente o mesmo.
O ponto de proteína é uma convenção comercial, não o preço do quilo de proteína. Uma tonelada de farinha 43% tem cerca de 430 kg de proteína bruta; a R$ 1.470/t, o quilo sai a R$ 3,42. A comparação entre as duas fontes dá o mesmo resultado nas duas formas de calcular.
Os 46% do farelo são uma especificação adotada na conta, não um dado das séries. Com 45% ou com 48%, os extremos da relação mudam pouco: ficam de 0,51 a 1,51 e de 0,55 a 1,61, respectivamente.
Essa relação mudou muito ao longo do tempo. Nos 63 meses da série, foi de 0,52, em dezembro de 2025, a 1,54, em novembro de 2021:
Período | Proteína da farinha em relação à do farelo |
|---|---|
Nov/2021 | cerca de 1,5 vez o preço (mais cara) |
Set/2022 | cerca de 0,8 vez |
Dez/2023 | cerca de 0,6 vez |
Dez/2025 | cerca de 0,5 vez (metade do preço) |
Mar/2026 | cerca de 1,0 vez (empate) |
Cálculo AniVertis com a cotação de mercado da farinha e a série do Imea, considerando 43% de proteína na farinha e 46% no farelo.
O preço da proteína não é o valor todo
A conta por proteína é o começo, não o fim. Ela compara uma dimensão do preço, mas não mede tudo o que o ingrediente entrega.
Proteína bruta não é proteína aproveitada
A composição de aminoácidos e a digestibilidade variam entre espécies e entre lotes. Num estudo com suínos, a digestibilidade ileal padronizada da lisina (a parte desse aminoácido absorvida até o fim do intestino delgado) foi de 80%, 71% e 54% em três amostras de farinha de carne e ossos (KERR et al., 2019).
A farinha também é fonte de minerais
Quanto mais osso, menos proteína e mais cálcio e fósforo. No extremo, a farinha de ossos autoclavada tem padrão mínimo de apenas 20% de proteína, mas pelo menos 10% de fósforo (SINDIRAÇÕES, 2023). Esse fósforo substitui parte do que a ração teria de receber de uma fonte mineral.
O que os estudos mostram sobre o fósforo
Cada estudo usou uma espécie e um método de medida diferentes. Por isso os números não formam uma escala única e devem ser lidos separadamente.
Suínos, Universidade Federal de Viçosa (BÜNZEN et al., 2009). Farinhas de carne e ossos com 35% e 41% de proteína tinham cerca de 6,5% de fósforo total. A digestibilidade verdadeira desse fósforo foi de cerca de 62%, o equivalente a aproximadamente 4% de fósforo digestível na farinha. A farinha de peixe 55% do mesmo estudo tinha 1,6% de fósforo total.
Suínos, Embrapa Suínos e Aves (GOMES et al., 1991). A farinha de ossos calcinada teve disponibilidade de fósforo de 90,3% em relação ao fosfato bicálcico, tomado como 100%. Os autores concluíram que ela pode ser usada como suplemento de fósforo em rações de suínos.
Frangos, Universidade de Wageningen, Holanda (VAN HARN et al., 2017). O estudo mediu a digestibilidade pré-cecal do fósforo (a parte absorvida antes do ceco, no intestino). Foi de 78,2% na farinha de ossos suína, 82,4% no fosfato bicálcico e 88,5% no monocálcico. Uma farinha de ossos degelatinizada chegou a 86,9%. Os autores concluíram que a farinha de ossos é comparável ao fosfato bicálcico anidro e que o processamento do osso aumenta o aproveitamento do fósforo. O estudo foi financiado por uma empresa de reciclagem animal, a Darling Ingredients, o que não invalida os números, mas deve ser dito.
Frangos, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (DILELIS et al., 2021). A digestibilidade do fósforo em três lotes de farinha de carne e ossos foi de 0,65, 0,49 e 0,69. Em três lotes de farinha de vísceras de aves, ficou entre 0,93 e 0,96. Os autores alertam que o fósforo da farinha de carne e ossos não é tão disponível quanto se costuma supor e que a variação entre lotes deve ser considerada pelo nutricionista.
Suínos, Universidade de Illinois (SULABO; STEIN, 2013). Oito farinhas de carne e ossos tinham de 2,6% a 5,3% de fósforo, com digestibilidade padronizada de 54,8% a 84,4% (média de 68,8%). Nos fosfatos inorgânicos de referência, como o bicálcico e o monocálcico, ela fica entre 88,4% e 98,2%. A digestibilidade caiu à medida que a farinha tinha mais osso, ou seja, mais cinzas, cálcio e fósforo.
Mais osso, mais fósforo aproveitado por tonelada
O último resultado não anula o valor do osso. Pela equação dos próprios autores do estudo de Illinois, uma farinha com 5,3% de fósforo ainda entrega cerca de 3,2% de fósforo digestível, contra cerca de 2,2% numa farinha com 2,6%. Mais osso significa porcentagem de aproveitamento menor, mas mais fósforo aproveitado por tonelada. Os autores lembram que a farinha de carne e ossos pode substituir fosfatos inorgânicos em rações de suínos sem prejudicar ossos e desempenho, desde que a digestibilidade seja bem estimada (SULABO; STEIN, 2013).
Por isso, uma farinha de 30% a 35% de proteína com muita matéria mineral (a parte que sobra quando a farinha é queimada, principalmente o osso) e com cálcio e fósforo elevados pode ser uma fonte mineral importante na fórmula. Proteína baixa não significa farinha de menor valor: significa farinha com outra função.
Um cuidado de vocabulário
No mercado se diz que a farinha de osso é "praticamente um fosfato bicálcico quelado". O valor nutricional por trás da expressão é real, mas o termo não é. No osso, o fósforo está na forma de um fosfato de cálcio biológico, a hidroxiapatita, depositada sobre a proteína do osso, a osseína (VAN HARN et al., 2017). Não se trata de um quelato, que é outro tipo de ligação química.
Fósforo, guerra e o Estreito de Ormuz
Há um valor que não aparece no preço do dia. O fosfato mineral usado em rações e fertilizantes vem da rocha fosfática, e as reservas são concentradas: cerca de 70% estão no Marrocos. Desde 2020, pandemia, disputas geopolíticas, guerras comerciais e combustível caro levaram os preços do fósforo a subir mais de 400%, e a guerra entre Rússia e Ucrânia desorganizou ainda mais esse comércio (BROWNLIE et al., 2023).
O Brasil está no centro desse risco. O país responde por cerca de 8% do consumo mundial de fertilizantes, o quarto maior, e importa mais de 80% do que usa, segundo o Plano Nacional de Fertilizantes (BRASIL, 2022). Em 2024, a importação chegou a 90% do consumo, e cerca de um quarto do NPK importado veio da Rússia. Depois dos ataques ao Irã em 2025, o parlamento iraniano ameaçou fechar o Estreito de Ormuz, considerado hoje a rota mais arriscada para as importações brasileiras de fertilizantes. Os conflitos no Mar Negro e no Mar Vermelho também ameaçam o fluxo de insumos (CARDOSO et al., 2025).
Em 2026, o risco virou fato. Segundo análise do International Food Policy Research Institute (IFPRI), publicada em 1º de abril, a guerra no Irã restringiu o tráfego no Estreito de Ormuz, e os preços de fertilizantes e energia subiram com força (HEBEBRAND et al., 2026). Os números da mesma análise mostram o tamanho da exposição:
Em 2024, até 30% do comércio mundial de fertilizantes passou por Ormuz.
Os países do Golfo respondem por 26% das exportações mundiais de DAP e 13% das de MAP, os principais fertilizantes fosfatados, com a Arábia Saudita à frente. O Brasil está entre os maiores compradores da região.
O Golfo fornece perto de metade do enxofre comercializado no mundo, insumo essencial para fabricar fertilizantes fosfatados.
A cadeia de fertilizantes não é a mesma dos fosfatos usados na alimentação animal, mas as duas partem do mesmo recurso, a rocha fosfática, concentrada em poucos países e exposta a riscos de comércio, energia e logística (BROWNLIE et al., 2023).
A recuperação do fósforo presente na farinha de carne e ossos aproveita um nutriente que já circula na cadeia pecuária nacional, sem exigir a importação de nova rocha fosfática para fornecer essa parcela do mineral. Isso contribui para a resiliência das formulações, embora não elimine as dependências indiretas de insumos importados em etapas anteriores da cadeia.
A literatura internacional aponta a reciclagem de fósforo como forma de reduzir a dependência de importação (BROWNLIE et al., 2023). No Brasil, uma análise estratégica estimou que recursos secundários de fósforo gerados todo ano, como dejetos animais e resíduos da cana, poderiam suprir até 20% da demanda de fósforo das lavouras em 2050 (WITHERS et al., 2018). Esse potencial soma diferentes recursos e não corresponde à farinha de carne e ossos isoladamente. Um modelo acadêmico de valor da reciclagem animal no Brasil também trata a recuperação de fósforo como um dos indicadores ambientais do setor (GOMES NETO, 2025). Esse valor de resiliência não entra na cotação da tonelada, mas entra na estratégia de quem formula ração.
Farinha e farelo andam juntos?
Sim e não. Nos 63 meses de janeiro de 2021 a março de 2026, comparamos as duas séries de duas formas:
Pelo nível do preço: a correlação foi de 0,78. Correlação é uma medida que vai de −1 a 1; perto de 1, as duas séries tendem a estar altas ou baixas nos mesmos períodos.
Pela variação de um mês para o seguinte (62 pares de meses): a correlação foi de 0,04, ou seja, praticamente nenhuma relação.
Em outras palavras: as trajetórias gerais foram parecidas, mas quando o farelo subiu ou caiu num mês, a farinha não necessariamente fez o mesmo. Também testamos se o farelo antecipa a farinha: a relação entre a variação do farelo num mês e a da farinha um, dois e três meses depois ficou entre 0,12 e 0,22, uma relação fraca.
Correlação também não é causa. Duas séries com tendências parecidas podem ter correlação alta nos níveis sem se moverem juntas de um mês para o outro.
O que pode influenciar o preço
Ingredientes concorrentes. O farelo de soja, outras fontes de proteína e as fontes minerais de fósforo pesam em quanto o comprador aceita pagar.
Oferta de matéria-prima. A farinha depende do abate. O volume abatido influencia quanto há para produzir.
Demanda de ração e pet food. Avicultura, suinocultura e pet food são os grandes compradores. A procura muda com o custo da ração e com a produção.
Especificação do lote. Proteína, matéria mineral, acidez, índice de peróxido (indicador de rancidez da gordura) e digestibilidade entram na negociação. Um produto fora do requisito legal deixa de ser questão de preço e passa a ser questão de conformidade.
Regulação. A farinha de carne e ossos é proibida na alimentação de ruminantes, o que define seu mercado: aves, suínos, peixes e animais de estimação (BRASIL, 2004).
O Índice AniVertis de transações
Cotação de consultoria é levantamento. Nota fiscal é negócio fechado. A AniVertis organiza uma base própria de notas fiscais de venda de farinha de carne e ossos bovina, com os preços efetivamente praticados no mercado interno.
Item | Índice AniVertis |
|---|---|
Período | jan/2014 a set/2026 (151 meses com dados em 153; sem notas em nov e dez/2025) |
Notas fiscais de venda no mercado interno | cerca de 18,9 mil |
Volume | cerca de 596 mil toneladas |
Medida | mediana mensal do preço por tonelada |
Fonte: base de transações AniVertis. Vendas para exportação excluídas.
O que o índice mostra em 12 anos:
Menor preço: R$ 630/t, em agosto de 2014.
Maior preço: R$ 3.500/t, em fevereiro de 2021.
Último mês fechado: R$ 1.900/t, em setembro de 2026.
O índice continua sendo calculado mesmo nos meses em que não há cotação de mercado publicada.
Ele mostra o preço pelo qual a farinha foi de fato vendida, e não uma cotação. Cada negócio tem seu prazo, seu frete e sua especificação. Por isso, em alguns meses, o índice pode ficar diferente das cotações. Essa diferença também é informação útil para quem compra e vende.
Como o índice é feito.
A base é amostral: reúne notas de uma amostra de vendedores e não representa o mercado nacional inteiro.
As notas são classificadas pela descrição do produto. Entram só as de farinha de carne e ossos de origem bovina; farinhas de alta proteína, de sangue e outros produtos ficam em séries separadas.
Só contam notas de venda. Devoluções, remessas e vendas para exportação ficam fora, e registros com descrição ambígua ou preço fora de uma faixa de plausibilidade são excluídos.
As notas não informam o teor de proteína de cada lote. Por isso o índice representa a farinha de carne e ossos bovina comercializada, e não uma especificação fixa como a farinha 43% das cotações.
Os dados são anonimizados, sem identificação de vendedor ou comprador, e agregados por mês.
Nota metodológica. A AniVertis também obteve dados fiscais da Sefaz-SP (Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo) por meio da Lei de Acesso à Informação, pela plataforma Fala.SP. Essa base constitui um levantamento independente, com abrangência e critérios de classificação diferentes, e não participa do cálculo do Índice AniVertis de transações. |
O preço em 2026
Em 2026, o Índice AniVertis subiu de R$ 1.050/t em janeiro para R$ 1.900/t em setembro. O painel AniVertis também acompanha, desde abril, a farinha de carne 43% da Editora Stilo, em referência CIF São Paulo. Nessa série, a cotação estava em R$ 1.850/t em maio, caiu para R$ 1.200/t em 20 de julho, voltou a R$ 1.850/t em 14 de setembro e subiu para R$ 2.250/t em 12 de outubro de 2026, valor mantido em 19 de outubro. O farelo de soja em Mato Grosso estava em R$ 1.996,41/t em 24 de setembro e em R$ 1.964,98/t em 15 de outubro, segundo o Imea.
Por ponto de proteína, em setembro houve empate aproximado: a farinha 43% a R$ 1.850/t custava R$ 43,02, e o farelo a R$ 1.996,41/t, com 46% de proteína, R$ 43,40. Em outubro, a farinha a R$ 2.250/t passou a custar R$ 52,33 por ponto, contra R$ 42,72 do farelo a R$ 1.964,98/t: cerca de 22% mais cara. Em poucas semanas, a relação entre as duas fontes mudou, o que reforça a conclusão de que a farinha oscila bem mais que o farelo. A cotação de mercado de 2021 a 2026, a série da Editora Stilo e o Índice AniVertis são levantamentos diferentes e não devem ser emendados numa série única.
Conclusão
O preço da farinha de carne não é reflexo automático do farelo de soja. No período analisado, os níveis de preço tiveram correlação elevada, mas as variações mensais praticamente não tiveram, e a farinha oscilou bem mais. Quem compra precisa comparar o custo dos nutrientes que a farinha efetivamente entrega: proteína e aminoácidos digestíveis, mas também cálcio, fósforo, energia e outras características relevantes para a formulação. O ponto de proteína é uma referência de mercado, não uma medida completa do valor do ingrediente. Quem vende ganha entregando especificação que sustente esse valor.
Perguntas frequentes
Existe preço oficial da farinha de carne? Não. Não há bolsa nem cotação oficial única. As referências vêm de levantamentos de consultorias e publicações do setor, cada uma com sua praça e metodologia.
O que é preço por ponto de proteína? É o preço da tonelada dividido pelo teor de proteína bruta. Uma farinha 43% a R$ 1.850/t custa R$ 43,02 por ponto de proteína. Serve para comparar fontes com teores diferentes.
Se o farelo de soja subir, a farinha sobe junto? Não necessariamente. Entre 2021 e 2026, os níveis de preço tiveram correlação elevada, mas as variações de um mês para o outro praticamente não tiveram relação.
Farinha de carne e ossos pode ir para ração de boi? Não. No Brasil, a farinha de carne e ossos é proibida na alimentação de ruminantes (BRASIL, 2004).
Farinha com mais proteína vale necessariamente mais? Não. O teor de proteína é uma das especificações do ingrediente, não uma medida completa de seu valor nutricional. Farinhas de 40%, 43%, 45%, 48%, 50% ou 55% podem ter perfis diferentes de aminoácidos e digestibilidade. Uma farinha com mais osso e menos proteína entrega mais cálcio e fósforo. O valor depende da composição, da disponibilidade dos nutrientes e do que ela substitui na fórmula.
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Referências
Legislação e normas brasileiras
BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa nº 8, de 25 de março de 2004. Proíbe em todo o território nacional a produção, a comercialização e a utilização de produtos destinados à alimentação de ruminantes que contenham em sua composição proteínas e gorduras de origem animal. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, p. 5, 26 mar. 2004. Acessar a fonte. Acesso em: 30 set. 2026.
BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Secretaria de Defesa Agropecuária. Instrução Normativa nº 110, de 24 de novembro de 2020. Publica a lista de matérias-primas aprovadas como ingredientes, aditivos e veículos para uso na alimentação animal. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 2020. Acessar a fonte. Acesso em: 30 set. 2026.
BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O Plano Nacional de Fertilizantes. Brasília, DF: MAPA, 3 maio 2022. Acessar a fonte. Acesso em: 30 set. 2026.
Dados do setor
SINDICATO NACIONAL DA INDÚSTRIA DE ALIMENTAÇÃO ANIMAL. Compêndio brasileiro de alimentação animal 2023. São Paulo: Sindirações, 2023. Cap. 2 (Ingredientes e matérias-primas), p. 47-51.
Artigos e livros técnicos
BROWNLIE, W. J.; SUTTON, M. A.; CORDELL, D.; REAY, D. S.; HEAL, K. V.; WITHERS, P. J. A.; VANDERBECK, I.; SPEARS, B. M. Phosphorus price spikes: a wake-up call for phosphorus resilience. Frontiers in Sustainable Food Systems, Lausanne, v. 7, 1088776, 2023. DOI: https://doi.org/10.3389/fsufs.2023.1088776. Acesso em: 30 set. 2026.
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Fontes de mercado (painel AniVertis): Scot Consultoria (farinha de carne e ossos 43%, série mensal jan/2021 a mar/2026); Imea — Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (farelo de soja, MT, série mensal jan/2021 a mar/2026, 24/09/2026 e 15/10/2026); Editora Stilo (farinha de carne 43%, CIF São Paulo, abr. a out. 2026). Índice AniVertis de transações (notas fiscais de venda de farinha de carne e ossos bovina, mercado interno, jan/2014 a set/2026). SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Fazenda e Planejamento. Resposta ao pedido de acesso à informação nº 2026031917505891 (Plataforma Fala.SP): notas fiscais eletrônicas por NCM, jan/2023 a dez/2025. São Paulo, 23 mar. 2026.





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