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Virada de semestre no agro: o que os mercados estão sinalizando para o 3º trimestre de 2026

Por Wesley Izidoro


O agronegócio brasileiro chegou à metade de 2026 em um momento de transição. O inverno esfriou parte dos negócios, a colheita da segunda safra de milho entrou em sua fase decisiva e o comércio com a China ganhou um novo capítulo. Neste artigo, traduzimos os principais movimentos da semana em linguagem simples — para que você entenda as tendências mesmo sem acompanhar o mercado de commodities no dia a dia.


Boi gordo: inverno esfria os negócios, mas a oferta menor segura o mercado.


O mercado da carne bovina vive um período tipicamente mais lento. No inverno, compradores e vendedores negociam menos, e o preço pago pelo boi ao produtor — a chamada arroba — segue pressionado para baixo.

Existe, porém, um contrapeso importante: há menos animais prontos para o abate disponíveis no campo. Essa oferta reduzida funciona como um amortecedor, evitando quedas mais fortes mesmo em um momento de demanda fraca. A reposição — quando o pecuarista compra animais jovens para engorda — também está lenta, refletindo a cautela do produtor.

No comércio exterior, o destaque é a China: a cota de importação de carne bovina brasileira isenta de tarifa adicional está perto do fim. Na prática, a carne embarcada a partir do início de julho pode chegar ao país asiático pagando uma taxação muito mais alta, o que exige atenção dos exportadores nas próximas semanas.

Para o 3º trimestre, a leitura é de um mercado mais firme do que fraco: oferta gradualmente menor e exportações ainda fortes, especialmente para a Ásia, tendem a sustentar os preços, com espaço para altas pontuais em janelas de melhor consumo interno.


Suínos: exportação puxa, mas o custo da ração volta ao radar.


A suinocultura chega ao meio do ano focada em ampliar mercados no exterior e em manter um controle sanitário rigoroso — condição essencial para exportar. A demanda dentro do Brasil, por outro lado, segue em ritmo compassado, o que obriga as indústrias a ajustar a quantidade de animais abatidos.

Um ponto de atenção voltou à mesa: o custo de produção. Com o dólar mais alto, os grãos que compõem a ração ficaram mais caros no mercado interno. Ainda assim, a expectativa para o trimestre é de mercado relativamente equilibrado, com produção crescendo de forma moderada e embarques consistentes para a Ásia ajudando a escoar a oferta.


Frango: a proteína mais competitiva da mesa do brasileiro.


A carne de frango segue cumprindo seu papel de proteína mais acessível, atraindo consumidores frente à carne bovina e à suína. Do lado da produção, o setor mantém o foco em biosseguridade — o conjunto de cuidados sanitários que protege os plantéis — e na manutenção dos fortes volumes de exportação.

Os custos de nutrição estão sendo monitorados de perto, já que as cotações de soja e milho ganharam sustentação após o último relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Para o 3º trimestre, o cenário é de produção mais alinhada à demanda, com a indústria testando pequenos reajustes de preço apoiada em custos mais previsíveis.


Peixes: consumo estável à espera do calor.


A piscicultura atravessa o inverno com consumo interno estável, aguardando o reaquecimento natural que vem com as temperaturas mais altas. Produtores seguem atentos a desafios climáticos pontuais e ao peso dos custos de ração, energia e frete.

Há uma boa notícia no horizonte: o movimento internacional de reabertura e avaliação de mercados para o pescado brasileiro — como a auditoria da União Europeia — pode abrir portas relevantes no médio prazo.


Milho: o trimestre da safrinha começa com atraso.


O 3º trimestre é conhecido no agro como o “trimestre da safrinha”: é quando a colheita da segunda safra de milho avança e o país descobre o tamanho real da sua oferta interna. Este ano, chuvas recentes limitaram o avanço das máquinas em polos importantes do Paraná, atrasando o trabalho no campo.

Enquanto isso, as revisões de safra seguem otimistas, e a alta na bolsa de Chicago — referência mundial para os grãos — após as atualizações do USDA reverberou positivamente nas cotações brasileiras. Com produtores segurando o grão à espera de melhores oportunidades e exportadores monitorando os atrasos para cumprir contratos, os preços domésticos ganharam firmeza.


Soja: safra colhida, foco no escoamento e na China.


A colheita da soja 2025/26 está concluída nos principais estados produtores, e o mercado entra agora na fase de escoamento: boa parte da produção já foi comercializada, e as atenções migram para a demanda externa — especialmente a China — e para o clima no Hemisfério Norte.

Os preços internos ganharam impulso com o avanço do dólar e a valorização em Chicago. O óleo de soja segue sustentado pela mistura obrigatória no diesel e pela demanda por biocombustíveis, enquanto o farelo — principal fonte de proteína das rações — mantém fluxo estável de negócios e segue competitivo frente às farinhas de origem animal.


Rendering: o elo discreto que conecta toda a cadeia.


O setor de rendering — que transforma subprodutos do abate em sebo, farinhas e gorduras usados em ração animal, biodiesel e higiene — atravessa um momento de liquidez restrita, acompanhando o ritmo mais cadenciado dos abates de bovinos.

O sebo bovino segue com demanda firme das indústrias de biodiesel, que absorvem mais da metade do volume produzido no país. Já a farinha de carne e ossos opera de lado, mas com um gatilho importante no radar: um eventual aperto na oferta de fosfato — insumo essencial das rações — pode valorizar as farinhas de origem animal nos próximos meses.


O que observar no 3º trimestre?


Em resumo, quatro grandes forças devem ditar o ritmo do agro até setembro:

1. O tamanho real da safrinha de milho, que define o custo da ração para todas as cadeias de proteína animal;

2. O comportamento da China, entre a nova taxação sobre a carne bovina e o apetite por soja e carnes;

3. O câmbio, que influencia tanto a receita de quem exporta quanto o custo de quem compra insumos;

4. Os custos de frete, energia e fosfato, que seguem pressionando as margens da porteira para dentro.


Acompanhar essas tendências com regularidade é o que separa quem reage ao mercado de quem se antecipa a ele. A Anivertis segue monitorando os dados semanalmente para transformar informação em decisão estratégica.

 
 
 

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